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A TENDENCIOSA INTERPRETAÇÃO DE R. C. SPROUL DE JOÃO 6.44

06/02/2015 23:23


"Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6.44)

Na tentativa de defender a ideia de graça irresistível, o calvinista R. C. Sproul interpreta tendenciosamente o texto de João 6.44, argumentando que a palavra grega elkyse, derivada de elko e traduzida por "trouxer", deve significar "compelir por irresistível superioridade", "arrastar". Observe o seu comentário:

O que significa para o Pai trazer pessoas a Cristo? Muitas vezes tenho ouvido esse texto explicado como significando que o Pai precisa convidar ou atrair os homens para Cristo. A menos que isso aconteça, nenhum homem virá a Cristo. Contudo, o homem tem a capacidade de resistir a esse convite ou de recusar a atração. O convite, embora necessário, não compele. Na linguagem filosófica, isso significaria que a atração de Deus é uma condição necessária, mas não suficiente para trazer os homens a Cristo. Em linguagem mais simples, significa que não podemos vir a Cristo sem o convite, mas o convite não garante que viremos, de fato, a Cristo. Estou persuadido de que a explicação citada, que é tão difundida, está incorreta. Faz violência ao texto da Escritura, particularmente ao sentido bíblico da palavra "trouxer". A palavra grega usada aqui é "elko". O Dicionário Teológico do Novo Testamento, de Kittel, a define como significando compelir por irresistível superioridade. Linguisticamente e lexicograficamente, a palavra significa "compelir".[1]

Por qual razão tal interpretação é tendenciosa? Consultando diversas publicações que tratam do grego do Novo Testamento, identifiquei que o termo grego elko pode também significar "atrair".

Tal possibilidade é encontrada nas obras abaixo:

- Novo Testamento Grego das Sociedades Bíblicas Unidas (SBB)
- Dicionário do Novo Testamento Grego de Taylor (JUERP)
- Léxico do Novo Testamento de Gingrich e Danker (VIDA NOVA)
- Léxico Grego Analítico de Moulton (CULTURA CRISTÃ)
- Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego de Haubeck e Siebenthal (TARGUMIM/HAGNOS)
- Chave Linguística do Novo Testamento Grego de Rienecker e Rogers (VIDA NOVA)

Sproul omite tal possibilidade de tradução e significado para elko em João 6.44, como evita também afirmar que em João 12.32 o termo grego elko se repete (elkyso): "E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo."

Neste caso, ficaria difícil para um calvinista manter a mesma interpretação de "compelir por irresistível superioridade" aplicada a elko em João 6.44. Qual a saída então? D. A. Carson apela para os contextos.[2]

Seguindo a lógica de Sproul no uso de elko, João 12.32 não insinuaria algum tipo de universalismo, ou uma eleição generalizada, visto que Cristo compeliria ou arrastaria a todos para si mediante o seu maravilhoso e irresistível cortejo apaixonado?[3] Geisler, ao comentar o referido impasse, declara: "Nenhum calvinista autêntico crê que todos os homens serão salvos."[4]

É claro, que para superar a dificuldade textual, os calvinistas afirmam também, que enquanto em João 6.44 elko se aplica a indivíduos eleitos, em 12.32 se aplica a grupos de pessoas (judeus e gentios).[5] O mesmo tipo de argumento é usado quando tentam interpretar o amor de Deus por "todos os homens" em algumas passagens das Escrituras.

Em seu comentário de João 6.44 e 12.32, Bruce entende que os respectivos textos enfatizam a iniciativa divina na salvação dos crentes, não esquecendo a responsabilidade de cada um em vir a Cristo, e que ninguém virá se Deus não o persuadir e capacitar para tanto.[6] Tal pensamento, nos termos aqui expostos, se alinha com a ideia de graça preveniente no contexto arminiano, que capacita a vontade humana para aceitar por fé a salvação de Deus em Cristo Jesus.

Por fim, voltando para a principal questão levantada aqui, Sproul poderia ser mais abrangente em seu comentário sobre elko em João 6.44, mas infelizmente, ou deliberadamente, decidiu não o ser.




[1]SPROUL, R. C. Eleitos de Deus. 3 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 52.
[2]CARSON, D. A. O comentário de João. São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 294.
[3]Ibid.
[4][4]GEISLER, Norman. Eleitos, mas livres. São Paulo: Vida, 2005, p. 108.
[5] CARSON, D. A. Ibid., p. 444.
[6] BRUCE, F. F. João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1987, p. 141.
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