Assembleia de Deus - Congregação Cidade Ademar 2 Setor 08 - Ministério do Belém

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COMBATENDO A EVASÃO ESCOLAR - Parte 1

30/10/2014 11:37
Recentemente participei do encerramento trimestral da ED na AD em Picos, cidade que fica há aproximadamente 350 quilômetros da capital do Estado do Piauí, Teresina. Tendo sido o comentarista das Lições Bíblicas do quarto trimestre de 2009, cuja temática se deu em torno de Davi, fui convidado para fazer o fechamento da revista naquele evento.
Pois bem, alguém já disse que a "primeira impressão é a que fica". Isso para mim se tornou uma verdade incontestável, quando pude ver a estrutura que aquela igreja tem em relação à Escola Dominical. O evento ocorreu no Centro de Eventos da Assembleia de Deus (Ceade), um espaçoso ginásio coberto, que aquela igreja construiu para grandes eventos. Ali foi feita uma chamada nominal das mais de vinte congregações que formam aquela igreja, e o que se podia o sucesso daquela igreja, o processo educacional é muito complexo e não admite soluções simplistas. Até mesmo o êxito dos irmãos daquela igreja não foge a essa rega. Quando nos propomos a avaliar qualquer processo educacional, seja ele eficaz ou não, precisamos levar em conta um conjunto de fatores responsáveis pela sua construção. Isso tem a ver com a ideologia ou filosofia da educação do sistema de ensino adotado, bem como a estrutura física, além, é claro, dos atores mais importantes desse processo - o educando e o educador constatar facilmente era a presença em massa dos alunos. São mais de 1,2 mil alunos matriculados na ED e, pelo que pude observar, pelo menos, noventa por cento deles estavam ali naquela manhã. Algo que realmente me fez pensar. Por que aquela igreja, que fica em uma cidade de porte médio e no interior do Estado, possui uma grande estrutura e outras que são até mesmo maiores não? Não estou aqui superestimando o trabalho daquela igreja, basta vermos que o Departamento de Escola Dominical dali já recebeu reconhecimento nacional em concurso promovido pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus.
Mais uma vez, me pergunto: Por que eles possuem uma Escola Dominical que funciona e outras não? Acredito que há uma resposta para isso. Todavia, é bom esclarecer que embora eu esteja convencido de saber a resposta para Passos para o sucesso da ED A eficácia do ensino da ED que se realiza eficazmente em qualquer igreja, obedece alguns princípios elementares. Aqui quero focalizá-los.
Entenda os motivos que podem estar influenciando o afastamento dos alunos. 1. Filosofia da Educação
Nenhum sistema de ensino sobrevive sem um princípio filosófico que lhe dê sustentação. Por filosofia da educação, me refiro ao embasamento teórico que dá sustentação a uma determinada ideologia ou cosmovisão. Isso não quer dizer que para uma igreja ter eficácia em sua missão educacional seu líder ou membros devam necessariamente serem filósofos ou algo parecido. Não! Quando falamos de uma filosofia da educação ou de qualquer outra ciência, seja ela empírica ou não, estamos nos referindo aos princípios que governam determinada disciplina ou ciência. Isso é muito importante porque determinará a forma como enxergamos o mundo à nossa volta. Na verdade, todo sistema possui sua ideologia ou forma de enxergar as coisas. Os comunistas, por exemplo, viam o mundo como matéria e essa forma de ver as coisas levou-os a negar a realidade do espírito e a formar uma sociedade de ateus. Por outro lado, muitas filosofias orientais atualmente fazem exatamente o oposto, negam a existência da matéria e afirmam somente a existência do espírito.
A educação ocidental, da qual fazemos parte, tem sido dominada por dois paradigmas educacionais - o moderno, que nos modelou nos últimos três séculos, e o pós-moderno, que está procurando se firmar a partir dos anos 70.0 paradigma da modernidade, também conhecido como cientificista ou cartesiano, foi o responsável por uma educação mais técnica, mais racional e menos humanizada. Por outro lado, o modelo pós-moderno ou ainda holista busca formar uma consciência sistêmica do mundo. A educação pós-moderna não está interessada apenas nas partes como os modernos queriam, mas sobretudo no todo.
É bom lembrar que nenhum modelo ou paradigma científico ou educacional é perfeito. Observo hoje que se tenta jogar pedra no modelo cartesiano, como se nada produzido pela modernidade prestasse mais, que ficou obsoleto e que, por isso, deve ser totalmente abandonado.
Se fala hoje que um modelo de educação para sei' eficaz precisa ser construtivista, interacionista, sociocultural e transcendente. Eu também acredito, mas como educador não posso aceitar como válidas todas as implicações geradas por essa cosmovisão. Explico. Quando se fala, por exemplo, numa educação construtivista, a ideia é aquela do aluno "fazendo sozinho", isto é, ele mesmo vai construindo seus próprios valores. Isto se explica quando se sabe que nessa forma de enxergar o mundo não existe valores absolutos e que, por isso, ninguém tem o direito de impor sua verdade ou verdades a ninguém.
O mesmo pode ser dito quanto se fala em uma educação sistêmica, que é ao mesmo tempo interacionista, sociocultural e transcendente. A ideia aqui é de um universo panteísta onde o homem se funde com a própria natureza e esta com Deus ou deuses. Tudo faz parte de um único todo, desaparecendo quase por completo a ideia de sujeito e objeto construído na modernidade. Isso, supostamente, estaria provado pela física quântica e pelo princípio da incerteza. Nada agora é absoluto e definitivo, tudo é relativo e depende de quem analisa os fenômenos.
Vamos filtrar o que eu disse e trazer isso para uma compreensão mais simples. Quando estive naquela igreja a qual já me referi anteriormente, pude ver que o pastor dela possui a cosmovisão correta da vida. Isso é mais verdade ainda em relação ao ensino cristão. Por acreditar que o crente necessita formar valores cristãos que são fundamentais na sua vida social e espiritual, ele investiu pesado no ensino teológico sistematizado através da ED.
Se o pastor não gosta do ensino sistemático da Bíblia e não se envolve com ele, fatalmente a sua ED será um colapso. E necessário o engajamento do pastor na ED. É por isso que falei que necessitamos ter uma correta filosofia ou cosmovisão da educação.
Um pastor que não se envolve com a ED, às vezes, nem mesmo assiste à Escola Dominical da sua igreja, revela não ter uma correta compreensão da importância do ensino cristão. O que é pior: isso se refletirá em toda a igreja que produzirá crentes com problema de crescimento espiritual ou com caráter deformado. Uma tragédia.
José Gonçalves é pastor em Teresina (PI), escritor e comentaristas das Lições Bíblicas de jovens e alunos.
FONTE: Revista Ensinador. Editora CPAD.N°42. pag. 30-31.