Assembleia de Deus - Congregação Cidade Ademar 2 Setor 08 - Ministério do Belém

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EVASÃO ESCOLAR NA IGREJA.

20/10/2014 21:36
 
IDENTIFIQUE OS PRINCIPAIS VILÕES QUE PROVOCA AUSÊNCIA NA ED.
O impulso básico na vida dos servos do Senhor deverá sempre ser o forte desejo de conhecer e prosseguir conhecendo o seu Deus (Os 6.3), procurando agradá-lo na prestação de um culto racional (Rm 12.1-2) e estando sempre entre os fiéis da Terra (SI 101.6).
É na Escola Dominical que encontramos um ambiente propício para o estabelecimento de uma relação mais íntima com Deus. E aí que o Senhor se desvela e dá de comer do maná escondido (Ap 2.17). O que se alimenta deste maná toma sua posição à mesa do Senhor e torna-se partícipe de sua herança, e, como agente multiplicador da graça divina, faz-se apto para dar de conhecer a outros que estão carentes da glória de Deus.
Não é difícil entender porque tanta dificuldade é enfrentada por aqueles que lutam em estabelecer e manter um programa que atenda plenamente a necessidade do funcionamento, adequado e produtivo, da Educação Cristã em suas igrejas. A ausência dos alunos na ED é, sem dúvida, um fator de grande preocupação por parte daqueles que estão envolvidos nessa obra. Avaliar a ausência, partindo de suas causas, é o objeto deste estudo. A análise de duas questões básicas - a cultural e a espiritual - pode abrir um caminho para as reflexões que deverão se conduzidas nesta área.
Questão cultural
Não apenas a ED, mas também outras atividades da igreja que demandam um maior envolvimento pessoal e compromisso de seus participantes, sofrem muitas baixas. Sente-se na pele os efeitos desta ausência também nas reuniões de oração e nos cultos de ensinamentos doutrinários.
Justamente nestas atividades é que deveriam estar uma grande parte daqueles crentes que só frequentam os cultos de domingo à noite.
Vive-se um tempo de superficialidades, em que as pessoas estão de tal forma envolvidas consigo mesmas e seus afazeres que falta tempo para Deus e para servi-lo em sua obra. O perfil das igrejas vem se modificando e em alguns casos não há mais uma nutrição na Palavra de Deus que satisfaça integralmente a alma e o espírito humano. O extenso período do louvor roubou o tempo que deveria ser dedicado ao estudo da Bíblia. A sobremesa é servida antes da refeição a tal ponto que, quando chega a vez da explanação da Palavra, as pessoas se levantam e vão embora, levando consigo a fome de Deus e o vazio existencial que só as Escrituras Sagradas podem preencher. A falta de uma mensagem vibrante e ungida nos cultos impede o desenvolvimento do gosto pela leitura da Bíblia e sua meditação, além de não proporcionar a tomada de consciência da necessidade que o ser humano tem de conhecer Deus.
Aliado a esta falta de mensagem, encontra-se, ainda, igrejas que foram projetadas e construídas sem um ambiente adequado para o ensino. Em se tratando de ED, o estudo em classes é fundamental, e, por não se sentirem à vontade, bem situados, ouvindo e entendendo o que está sendo falado, num  estudo direcionado para sua faixa etária, os alunos vêm e não voltam.
Os ministros tem a suprema tarefa de provocar uma mudança radical na condução do povo de Deus e em sua forma de pensar a sua espiritualidade. E a ED tem o seu lugar como ferramenta eficaz no combate a tudo aquilo que distancie o povo das verdades espirituais e o influencie diretamente em sua capacidade de discernir o que é melhor para o desenvolvimento de uma vida cristã saudável.
Ainda que não se mude a cultura de um povo da noite para o dia, ainda que muitas coisas estejam tão arraigadas no dia-a-dia das igrejas, a ponto de não oferecerem perspectivas de vislumbrar novos tempos, todavia, é mister prosseguir acreditando em Deus e na força do seu poder; acreditando que Ele vai adiante do seu povo, endireitando os caminhos tortos e quebrando as portas de bronze (Is 45.2-3); acreditando que Deus sempre levanta homens e mulheres com visão espiritual e consciência crítica para conduzir o seu rebanho. O aspecto cultural é tão amplo que abarca grande parte dos itens dessa análise. Muitas das grandes dificuldades enfrentadas pela liderança da igreja têm suas raízes nas expressões culturais do povo. Entretanto, seria muita inocência deixar de lado a questão espiritual e achar que tudo é resultado da cultura.
Questão espiritual
O ponto de partida para essa reflexão encontra-se em 2 Coríntios 4.4, quando a Palavra diz que "o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus".
A neutralização das atividades de Satanás se dá por duas vias principais: a oração e a pregação do Evangelho no poder do Espírito Santo. É ouvindo a Palavra de Deus que o povo a entende e decide crer ou não nas verdades eternas.
No mundo moderno, Deus se encontra afastado do cotidiano das pessoas, dos grupos sociais, e para alguns Ele chega a estar morto. Nesse processo, chamado de secularização, é a vez da razão e da ciência rebaixarem a religião a uma posição alienante, ou no dizer do filósofo Karl Marx, "correntes com flores que mantêm os indivíduos aprisionados, sem fantasia e sem consolo".
Karl Marx passou com sua ideologia, e hoje está cada vez mais restrito aos ambientes acadêmicos, onde até estes concordam que o marxismo não respondeu às necessidades humanas. A Palavra de Deus, porém, permanece e continua transformando vidas, tirando-as da situação de anomia (caos espiritual) e devolvendo-lhes o sentido de sua existência. Quanto mais consciente a criatura se torna neste mundo secularizado, mais ela percebe a necessidade do reconhecimento da existência de um Deus que tem todo o poder no Céu e na Terra e que está para além do saber humano.
E preciso acompanhar as transformações que vêm acontecendo no mundo, mas não se pode esquecer que são nos bancos das igrejas, nas reuniões dominicais, que se vai crescendo na graça e no conhecimento de Deus, e isto depende diretamente da ação do Espírito Santo no íntimo das pessoas (Rm 10.17). Isto quer dizer que aquele que ensina também precisa estar em constante aprendizado.  Além disso, para um ensinador ter palavras cheias do Espírito vai depender do grau de intimidade que ele possui com Deus.
A tomada de consciência pelo mundo plural é o impulso para se buscar cada vez mais a Deus. Já não é tão simples preparar uma aula e apresentá-la a um determinado grupo. A alta tecnologia e a massificação de informações penetram diariamente nos lares, mas não podem subsistir diante do preparo espiritual daquele que busca apresentar a simplicidade e a universalidade da mensagem cristã. Mais do que nunca é preciso estar preparado para saber responder com mansidão e temor a qualquer que nos pedir a razão da esperança que há em nós (lPd 3.15).
Não é fácil ser aluno assíduo de uma ED, muito menos liderá-la. O deus deste século continua trabalhando em todos os turnos para impedir o florescimento desta obra, para impedir que as pessoas aprendam as coisas espirituais e estejam fundamentadas na Palavra de Deus. A ausência de alunos, e até mesmo a evasão, na ED precisa ser vencida com jejum e oração, compromisso e responsabilidade, desprendimento e muito gosto pelas coisas de Deus. Não há como manter um trabalho desta envergadura simplesmente com boa vontade.
Para se combater problemas dessa natureza é preciso avaliar as questões culturais e espirituais do povo. São nas matrizes culturais e religiosas que se encontram os indicadores do que precisa ser trabalhado para que todos os membros da igreja reconheçam que sua ausência na ED implicará em perda de qualidade espiritual.
Em termos didáticos, é possível fornecer uma lista dos procedimentos necessários para se evitar a evasão nas escolas dominicais. Essa abordagem já foi trazida pela 10edição da Ensinador Cristão, em seu artigo de capa, intitulado Como manter meu aluno atento e interessado? Se o aluno é mantido atento e interessado, ele não apenas será assíduo como também trará outros para experimentar dos doces sabores da mesa do Senhor.
É da responsabilidade de cada professor conhecer seu contexto e trabalhar com as ferramentas que dispõe. E da competência da equipe envolvida com a ED, buscar soluções para as dificuldades que se apresentam, num diálogo aberto e franco. Os grandes autoritários, os grandes poderosos, os grandes arrogantes não dialogam e nem são capazes disso, eles carecem do elemento fundamental para o diálogo acontecer, que é a consciência da limitação. Mas o que prega, prega uma palavra que não é sua, vive uma vida na expectativa do que há de vir e reconhece que é frágil e carente da graça de Deus.
Todos nós sabemos que Deus nos „ chamou, apesar de sermos o que somos, e nos capacitou para irmos e darmos frutos. Ele é o Senhor da obra, Ele vai na frente e, assim, cumpre-se o que foi dito em Daniel 12.3: "Os entendidos, pois, resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente".
Elienai de Oliveira Carvalho Castellano é professora de ED na Assembléia de Deus em Juiz de Fora (MG), professora de Hebraico e mestrando em Ciências da Religião.
FONTE: Revista Ensinador. Editora CPAD. pag. 30-32.