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EVASÃO NA ESCOLA DOMINICAL

12/10/2014 19:25
RESPONSÁVEIS POR INCENTIVAR A FREQUÊNCIA DE ALUNOS NA EBD, PROFESSORES DEVEM ESTAR ABERTOS À QUALIFICAÇÃO E ÀS MUDANÇAS DO MUNDO MODERNO.
POR MARCOS FILHO
Todos os domingos, às 8h 45min, o professor Jarbas já estava no templo para a Escola Bíblica Dominical. Antecipava-se aos alunos, que chegavam sempre após as 9h. Sistemático e meticuloso, ele cumpria o seu “ritual” introdutório com oração e leitura do texto da lição para, em seguida, iniciar a sua preleção, que se estendia por cerca de 25 minutos, sem a interferência dos alunos.
Após essa primeira parte, o professor Jarbas fazia uma pausa para ingerir o seu medicamento, preenchia o tempo escolhendo um aluno para contar um testemunho e, em seguida, narrava o que lhe ocorrera durante a semana, principalmente como a sua enfermidade o incomodara e que novas receitas naturais ele houvera descoberto. Após todos Responsáveis por incentivar a frequência de alunos na EBD, professores devem estar abertos à qualificação e às mudanças do mundo moderno esses passos, restava apenas a conclusão da lição, geralmente acompanhada de um lamento pela exiguidade do tempo.
Neste relato, guardadas as devidas proporções, podemos contemplar o retrato do que ocorre nas classes de EBD do Brasil. Os professores, em sua maioria, talvez por falta de preparo, são muito parecidos com o professor Jarbas: salvos por Jesus, movidos de intensa paixão pelo ensino da Palavra de Deus, anos a fio trabalhando no afã de edificar vidas e contribuir para o engrandecimento do Reino de Deus. Porém, estão totalmente desconectados da realidade. Utilizam somente o método da preleção, limitam-se à leitura da lição bíblica, não permitem a participação do aluno e falam exaustivamente sobre si mesmos e sobre suas experiências.
Embora existam outros fatores que contribuem para a evasão na EBD, o despreparo do professor tem sido determinante nesse cenário e até mesmo impedido o ingresso de novos alunos.
Para escrever este artigo, retomei e analisei uma pesquisa acerca das causas da evasão na Escola Bíblica Dominical, realizada em 1993 como parte dos trabalhos de uma pós-graduação em Docência Superior. Para minha surpresa, os motivos de hoje não são tão diferentes dos encontrados naquela época. Lamentavelmente, alguns se tornaram até mais críticos e acentuados, ou seja, as mudanças ocorridas não sanaram o grande problema da evasão na EBD. Dentre as causas encontradas naquela época, as mais comuns eram a falta de recursos didático-pedagógicos, falta de incentivo e de participação da liderança da igreja, classe única, infraestrutura precária ou inexistente e professores não vocacionados e despreparados.
Por ser aluno da Escola Dominical desde a infância e por haver atuado por cinco anos como superintendente da Escola Dominical da Assembleia de Deus na Ilha do Governador (RJ), acompanhei de perto os problemas e desafios de um líder de EBD. Por isso, creio não ser precipitado afirmar que a principal causa da evasão de alunos da EBD é o professor. Não há nada mais importante e determinante para atrair novos alunos e mantê-los em classe do que a pessoa do professor. O homem-chave da EBD é o professor. Se ele for espiritual e devidamente treinado para o magistério cristão, será um instrumento poderoso para edificação dos alunos e para o sucesso da EBD.
Por outro lado, não há nada mais desanimador do que lidar com professores que se julgam capazes a ponto de não precisarem mais de instrução. Não observam o que diz Provérbios 9.9: Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina ao justo, e ele aumentará em entendimento. Isso me faz recordar quando organizamos um curso preparatório para professores da EBD.
Tomamos todos os cuidados para oferecermos o melhor, elaboramos um manual especialmente para ser usado no curso e lançamos mão de todos os recursos disponíveis à época. Alguns professores não quiseram inscrever-se, e a alegação mais comum era: “Depois de tantos anos ministrando, será que não sabemos dar aula?”. Qual não foi a minha surpresa e decepção!
O que posso deduzir dessa experiência é que não basta investir no preparo do professor oferecendo-lhe cursos para melhorar o seu desempenho.
É necessário conscientizá-lo da necessidade de manter-se atento às mudanças que ocorrem no mundo, em especial àquelas que influenciam e atingem os seus alunos.
Professor atente para isso...
A Escola Dominical é um dos instrumentos utilizados por Deus para manter, mudar e fazer crescer a Sua Igreja. Manter os princípios doutrinários, que devem ser imutáveis; mudar o caráter e o modo de agir de seus alunos, confrontando- os com a Palavra de Deus, e visar à formação de novos discípulos segundo o modelo divino; coibir os elementos e ingredientes que impedem o crescimento da Igreja, proporcionando-lhe um ambiente saudável. Portanto, a EBD pode ser usada por Deus para produzir mudanças necessárias no meio sociocultural, na população em geral e dentro da própria igreja.
Para que isso ocorra, o professor da EBD precisa entender que a igreja deve envolver-se com as questões do mundo, buscando e ensinando soluções para os problemas e misérias que atingem a sociedade. Se o professor tem a consciência de que a vida não é uma existência em duas esferas – uma espiritual e outra física –,então o conteúdo a ser transmitido, o testemunho e a ação da igreja não devem ser alterados de acordo com o local onde ela está inserida. Pelo contrário, ela deve agir no mundo, apresentando as verdades e os princípios bíblicos para que os problemas sociais e culturais sejam solucionados.
Outro aspecto a ser considerado é a importância da EBD para a mudança e para a formação de novos crentes. Embora tenhamos muitas palavras para definir esse processo, a maior responsabilidade da igreja, depois de evangelizar, é promover o discipulado do novo crente. Se a igreja deseja crescer, irá deparar-se com os problemas sociais e culturais. Assim, deverá instruir os crentes naquilo que crê e em como essa crença deverá afetar a vida cotidiana de seus membros.
Novamente, entra em cena a atuação imprescindível do professor da Escola Dominical. Quando o professor tem consciência da importância de sua função e que esta deve sempre visar ao crescimento do aluno e, em consequência, ao crescimento da igreja, buscará alternativas para acompanhar seus alunos e estreitar os laços de amizade para além da sala de aula.
Professores que se preocupam somente com a sua preleção semanal e com a sua capacidade de armazenar e transmitir informações desconhecem a realidade e as necessidades de seus alunos. Quando isso ocorre, o aluno tende a ficar desmotivado, perdendo gradativamente a vontade de participar dos estudos bíblicos, podendo até mesmo deixar de frequentar a EBD. Professor, o seu aluno deseja algo além do conteúdo. Os alunos se identificam com os professores que mostraram interesse especial e cuidaram deles antes de se lembrarem daqueles que tinham bons dotes de oratória.
Além de reconsiderar o seu papel, o professor precisa agir apresentando soluções práticas, como ligar para os alunos ausentes ou visitá-los a fim de ajudá-los em suas necessidades; vencer as barreiras próprias de um imigrante digital e começar a utilizar recursos audiovisuais; elaborar premiações, mesmo simbólicas, para os alunos mais assíduos, assim como outras campanhas motivacionais.
Sobretudo, o professor da EBD deve sentir-se vocacionado. Quando o professor é vocacionado e cumpre o conselho descrito em Romanos 12.7b: Se é ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7b), ele se transforma em ferramenta poderosa nas mãos de Deus para exercer influência sobre vidas e mostrar-lhes todo o conselho divino.
Precisamos urgentemente de uma multiplicação de professores fiéis, espirituais e bem preparados, porque certamente isso reduzirá drasticamente a evasão de alunos na EBD e contribuirá de forma significativa para a edificação, a formação e o crescimento da Igreja do Senhor Jesus.
GERAÇÃO DO MILÊNIO
Para cativar os seus alunos, o professor necessita entender a realidade das gerações mais modernas, denominadas pelos sociólogos como gerações Y e Z.
A geração Y é definida como a geração dos nascidos em meados da década de 1970 até meados da década de 1990. É também chamada de geração do milênio ou geração da Internet. A geração Z compreende os nascidos entre 1993 e 1995, geração que corresponde à idealização e ao nascimento da World Wide Web, uma época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica.
Trata-se de uma geração que nunca concebeu a vida sem computador e, por isso mesmo, é totalmente influenciada, desde o berço, por um mundo repleto de informações que a fazem pensar, relacionar-se e viver de um modo bastante diferente da geração que a antecedeu.
Aqueles que não fazem parte das gerações Y e Z são os chamados imigrantes digitais, que geralmente são os pais, os professores, os pastores, os superintendentes e demais pensadores que nasceram antes de 1970. Entender isso levará o professor a estudar o mundo do aluno e a lançar mão dos métodos mais eficientes para alcançá-lo.
O autor é pedagogo, pós-graduado em Docência Superior, diretor do Instituto Bíblico da Assembleia de Deus da Ilha do Governador (RJ), diretor do Centro Educacional Nova Esperança (CENE) e vice-presidente da Assembleia de Deus na Ilha do Governador.
FONTE: Revista educação cristã. Editora Central Gospel. ed 1. pag. 25-27.